quinta-feira, 21 de abril de 2011
Gostar do jeito certo
Pergunto-me se a dor da decepção é de fato menor quando já se atingiu a maturidade forçada no quesito "relacionar-se". Outrora, quando tudo era novo, eu sabia chorar algumas lágrimas e depois apenas secá-las, mas, com o tempo e as repetições, chorar já não me satisfazia... Eu queria respostas, mesmo que, na maioria das vezes, eu já soubesse tudo o que precisava saber.
Talvez o jeito certo de gostar seja aquele em que se fecha os olhos e o corpo fica leve para ser guiado pelas piruetas do vento. Gostar sem querer descobrir as medidas e sem buscar as razões. É o querer que, embora caiba em seu peito, extravasa seus poros, mas sem ser maior que você. Não há como desejar um amor que nos esmague e sim que nos entorpeça sem roubar nossos principais sentidos e nos tire o fôlego, mas não nos sufoque.
Qual é graça da paixão se ela não nos deixar um pouco loucos e qual é o beneficio da loucura se ela não nos der coragem? Por sua vez, para quê ter coragem se não soubermos usá-la para o bem?! Eu quero ser corajosa para abraçar alguém com toda a força e fazer com que entenda o quanto a sua presença para mim é importante, mas não quero perder a noção de que o meu querer não está acima do querer de quem abraço.
Disseram-me que ser adulto é ter a capacidade de fechar cicatrizes por mais profundas que sejam, no entanto, quando eu era adolescente e acreditava em contos de fadas, tinha o dom de construir novos castelos sempre que algum desmoronava. Agora, contagiada por essa maturidade que parece nos ressecar por dentro, adotei a mania de observar escombros, caminhar pelas ruínas e buscar aquelas vigas que antes me sustentavam. Não sei onde encontrar novas vigas, acho que nem sei em que lugar posso reconstruir as bases.
Se o seu amor for o meu sustento, perdoe-me, pois então não servirá para mim. Embora me falte uma conclusão sobre qual é o jeito certo de gostar de alguém, ao menos sei que não é sugando a sua vida.
Quero que consiga perceber meus olhos vermelhos mesmo que eu os tenha enxugado depressa e descubra o significada de cada entonação da minha voz. Quero que decifre meu sorriso triste, a risada falsa e o meu "não foi nada" que sempre quer falar tantas coisas. E quero que compreenda a minha necessidade de falar em códigos, pois para mim não é tão fácil ser transparente.
Acho que gostar de alguém do jeito certo, começa por deixar que esse alguém goste da gente...
terça-feira, 22 de março de 2011
O Dom do Esquecimento
domingo, 13 de fevereiro de 2011
E ONDE FICA O RESPEITO?

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Quem te vê passar assim por mim....

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
A borboleta e o beija-flor - Texto integral

Dizem que atraímos seres e coisas que estão de acordo com a energia que irradiamos, por isso somos sempre incitados a enfrentar as dificuldades com firmeza de espírito e bom humor. Eu, por minha vez, creio que atraímos aquilo e aqueles que irão nos trazer os ensinamentos necessários para crescermos e nos tornamos mais fortes.
No mundo inverossímil dos contos fantásticos, ouvi a história de uma borboleta que, apesar de já estar pronta para abandonar seu casulo, mantinha-se presa dentro do mesmo por medo dos perigos que encontraria lá fora.
Como se tornara grande demais para o seu invólucro, este havia se partido ao meio de modo que a borboleta tinha metade do seu corpo fora do cásulo e, assim, conseguia ver as outras borboletas esvoaçarem pelos céus. Quando o vento brincava com as flores e espalhava as deliciosas fragrâncias no ar, o pobre inseto sentia ânsias de correr para perto das flores, mas seu medo impedia-lhe de alcançar seus desejos.
Certa tarde, a borboleta teve a estranha sensação de que era observada. Perscrutou então ao redor de si com o olhar e pode ver, oculto entre alguns ramos, um beija-flor que olhava para ela timidamente:
- Por que me olha com tanta insistência? - Indagou ao beija-flor.
- Desculpe-me, senhorita - respondeu tomado de vergonha - é que fiquei encantado com as belas cores de suas asas.
Diante do elogio, a borboleta se encheu também de acanhamento o qual tentou disfarçar desta forma:
- De que me adianta ter asas com cores tão belas se não sou capaz de voar?!
- Juro-lhe, senhorita, que ficaria lisonjeado caso me permitisse levá-la para um passeio a bordo de minhas asas.
A borboleta olhou para o beija-flor com desconfiança. Seu primeiro pensamento foi recusar o convite inesperado daquele estranho, contudo, sua intensa vontade de se afastar ao menos por algum tempo de seu casulo, fez com que aceitasse a proposta
Com modos de cavalheiro, o tímido passarinho ajudou a senhorita a sair de seu cásulo e acomodou-a sobre as suas asas. Em um primeiro instante, a borboleta se sentiu amedrontada, pois já não estava segura dentro de um esconderijo, mas o calor que emanava das asas do beija-flor, fez com que se sentisse novamente protegida.
Durante o passeio sobre um primoroso jardim primaveril, os dois se esqueceram de suas prisões e medos, enquanto deixavam um pouco de si um no outro:
- Não consigo visitar duas vezes a mesma flor. - Dizia o pássaro. - Em um dia eu me apaixono perdidamente por uma, mas no dia seguinte sempre conheço outra flor de cor mais viva ou de perfume mais doce.
-E desta forma não se prende a nenhuma delas...
- De fato não gosto de me sentir preso a nada, por isso estou sempre viajando pelo céu em busca de novas cores e aromas diferentes.
- Já eu, viajo apenas em pensamentos, pois até hoje não havia ousado deixar a minha prisão.
- Para quê se manter presa? A única coisa de que uma borboleta precisa para voar é ter asas e isto você tem!
- Talvez eu tenha medo de um dia ir tão longe que já não saiba voltar. - Disse a borboleta.
- E talvez eu tenha medo de voltar e não encontrar mais a flor que deixei. - Falou o beija-flor.
Os novos amigos ficaram em silêncio por algum tempo, meditando sobre o que haviam acabado de dizer e de ouvir, no entanto, quando se despediram, não era sobre os seus medos que pensavam e sim um no outro.
A partir de então os dois passaram a repetir aquele passeio todos os dias. A borboleta só saia de seu casulo para encontrar o beija-flor e, quando não estavam juntos, mantinha-se perdida em sua imaginação romanesca a qual afastava suas angústias de prisioneira. Houve uma tarde, porém, na qual o passarinho não apareceu e o fato se repetiu por toda a semana. Cansada de esperar e preocupada com o sumiço do amigo, a borboleta resolveu, pela primeira vez, sair sozinha de seu casulo. Mesmo assustada, agitou suas asas com força até que conseguiu alçar vôo rumo ao jardim que sempre visitavam. Ela estava tão preocupada em encontrar o beija-flor que nem ao menos percebeu que estava conquistando seu sonho de liberdade ao voar por si só, sem se apoiar nas asas alheias. O medo deixara de lhe prender no exato instante em que parou de pensar nele para se ocupar com coisas que realmente existiam.
Ao chegar no jardim, deparou-se com algo inesperado: o passarinho estava sobre uma flor que já havia visitado antes:
- Beija-flor, - a borboleta chamou - por que não me visita mais? Preocupei-me pensando que talvez tivesse encontrado outras cores mais belas que as das minhas asas, mas vejo que está sobre uma flor que já visitou antes.
- Perdoe-me por não ter voltado, borboleta. Não quero magoá-la.
O pássaro evitava olhá-la nos olhos enquanto dizia:
- Quando visitei esta flor pela primeira vez, era um dia chuvoso e cinzento e foi me escondendo sob suas pétalas que consegui me proteger. Percebi que necessito de um lugar para o qual eu possa voltar sempre que me sentir inseguro, mas a flor que me emprestar as suas pétalas precisará compreender que eu irei embora quando o sol surgir novamente.
Ao se dar conta de que aquelas palavras se tratavam de uma despedida, a borboleta deixou uma lágrima escorrer de seus olhos e molhar uma porção de grama do jardim:
- Sei bem que se cansou de ver todos os dias as mesmas cores em mim! - Bradou o inseto. - O seu problema é que você vive apenas o momento, mas os momentos sempre passam.
- E o seu problema é que você vive tão preocupada com o ontem e com o amanhã que deixa de aproveitar o agora. - O beija-flor replicou. - Você já está pronta para seguir com as outras borboletas, mas acostumou-se de tal modo a segurança de minhas asas que se esqueceu de usar as suas.
A borboleta fitou-lhe com tristeza, no entanto não ousou contradizê-lo, pois, em seu íntimo, sabia que ele tinha razão.
- Assim que eu me virar e for embora, vou esquecê-lo para sempre beija-flor. Se as minhas cores perderam a graça para você, também eu posso fazer com que as lembranças desbotem até se tornarem incolores.
O outro olhou-a com ternura tomado por pensamentos que só ele conhecia:
- Só quero que saiba borboleta, que o fato de algo ter sido fugaz, não significa que não tenha sido verdadeiro.
Em silêncio ela concordou com a afirmação. Logo percebeu que não havia mais nada a fazer ali então seguiu seu caminho. Ainda sentia medo do que poderia encontrar pela frente, mas isto não mais a impediu de continuar.
Em alguns momentos usaremos as pessoas como esconderijos, afastando o nosso frio com o seu calor, apesar de também possuírmos chamas. Em outros evitaremos compartilhar casulos indo embora sempre que as cores de alguém perderem o brilho. Nos dois casos estamos fugindo da realidade, pois é quando as chamas e cores se apagam que precisamos enfrentar algo assustador: deixarmo-nos conhecer por nós mesmos ou pelo outro.
Por mais perigoso que seja fora do casulo, nenhuma segurança vale mais do que a liberdade de voar com as nossas próprias asas. Só quando souber usar bem as suas é que estará preparado para voar ao lado de outra pessoa.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Uma observação sobre os homens

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
ACABOU?! NÃO! ESTÁ APENAS COMEÇANDO!
É com muita felicidade e energias renovadas que grito: HAPPY NEW YEAR MEU POVO! Acabo de voltar da melhor virada do ano que já passei na vida. Estava mesmo precisando depois das pancadas que levei em 2010.
Todos os anos digo para mim mesma que aquele será o meu ano, faço uma lista dos meus desejos e os entrego para Deus. Desta vez, no entanto, não fiz lista alguma, mas nunca estive tão certa da prosperidade vindoura, pois me dei conta de que o meu sucesso depende apenas do meu querer. É claro que há um Deus que vela por mim, mas Ele me deu coragem e inteligência para que eu pudesse guiar meus próprios passos.
Um dos presentes que recebi em 2010 foi esse blog o qual criei em um dos momentos em que me sentia no chão. Precisava escrever tudo o que me oprimia, embora não desejasse fazê-lo claramente, apenas através de meias palavras. Aos poucos meus textos foram sendo acessados por pessoas que não conheço, rostos que nunca vi, mas que dividem comigo as mesmas alegrias e tristezas. É com vocês, meus amigos, que quero dividir algumas lições que recebi durante esse árduo processo de aprendizado:
- Aceite o fato de que é humano e, portanto, falível, mas não utilize sua natureza como desculpa para cometer erros que poderia evitar;
- Não espere que as pessoas possam ir até você: vá até elas;
- Alguns sonhos não se realizam não por serem impossíveis, mas, porque nós optamos por apenas sonhá-los;
- Quando alguém te magoar, não se ache no direito de fazer o mesmo com os outros. Utilize esta experiência para o bem;
- Confie sempre em si mesmo, porém não se esqueça que há um Deus maior que você em Quem pode confiar.
Aguardem...
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
"Talvez o final feliz seja apenas seguir em frente"

segunda-feira, 29 de novembro de 2010
SEJA VOCÊ

sábado, 20 de novembro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
CARTA PARA UM PASSARINHO

(Escrita em 04/07/2010)
Houve um tempo no qual acreditei ser eu quem o tinha deixado livre, pois meu espírito romântico me fez pensar que, apesar de sermos (na minha imaginação), perfeitos um para o outro, ainda não era o momento. Vejo, contudo, que foi escolha sua não pousar em minha mão.
Não era uma obsessão que me arrastava até você. Não sou louca, sou artista – ao menos foi o que me disseram e prefiro acreditar nisto. A arte me impede de sentir as coisas pela metade, então vivo apaixonadamente mesmo sem demonstrar.
Desejei criar asas para voar ao seu lado e mantive meus olhos tão presos às nuvens que esqueci de fincar meus pés no chão. Então caí, despenquei e talvez ainda não esteja completamente de pé.
Meu consolo era acreditar que você, apesar de raramente descer a terra, pudesse se lembrar daquela que, ao som do silêncio, declarou-lhe tudo, mas... Não foi assim. A nossa distância que antes parecia produto da timidez e do medo, agora se mostra também como mais uma de suas escolhas.
Era divertido me ver entorpecida de encanto, voz branda, gestos serenos. Agradava-lhe saber que era digno de admiração; conquistara uma aduladora sem ter feito o menor esforço. A vaidade lhe impediu de me enxergar, fez ver em mim apenas um instrumento que engrandecia seu ego e manipulou os acordes a sua maneira.
Nunca vou ouvir um pedido de desculpas. Talvez você não saiba ou não queira saber a participação que teve em meus próprios erros os quais foram instigados pelos seus. Nova queda: percebi quando escorreguei dos seus olhos e caí diretamente nos chão.
E o mais estranho é que, em breve, muito breve, o passarinho vai se sentir cansado, por isso procurará um galho de árvore onde possa repousar. Quando olhar para o solo, não vai mais encontrar um determinado rosto que tanto gostava de contemplar o seu canto.
Vazio.
Em breve, muito breve, verá o mesmo rosto flutuando nas asas de um amor de verdade.
Vazio.
Ninguém vai te ouvir como eu ouvia. Ninguém vai te dizer o que eu dizia.
Vazio.
Contradizendo sua propensão para o esquecimento, sentirá a minha falta, então irá procurar um pouco de mim nos meus textos. Estes mais uma vez o emocionarão ao perceber que também havia um pouco de você ali, pois, apesar do nada que tivemos, o que sinto sempre se transforma em poesia.
Nestes dias você ainda não vai me amar e creio que nunca o fará, contudo vai se dar conta de que eu existo e que minha importância não é a de fazê-lo se sentir importante. Não tenho as suas asas, mas você também não possui as minhas mãos e é com estas mãos que te faço um sinal de adeus enquanto recebo outra vez “aquela parte minha que outrora lhe pertenceu”.
(Há alguns dias você era preto e branco, agora preciso forçar a visão para te enxergar. Obrigada por agir de maneira a se tornar invisível.)
terça-feira, 19 de outubro de 2010
PREVISÕES
(Escrita em 06/11/2009)Sinto que posso sentir muitas coisas ao seu respeito,
mas talvez seja pura insensatez tentar prever sentimentos.
Como posso antecipar aquilo que ainda está por dentro?
E assim perder a chance de me surpreender com o tempo?
Vou amar por apenas um dia, sem medo do amanhã.
E se tudo acabar em um de repente qualquer,
não irei me sentir a mais terrível mulher, apenas seguirei em busca de um novo amor que,
um dia por vez, prolongue-se eternamente.
Quero muitos dias de eternidade,
quero que minhas mãos continuem livres em suas criações.
E, se por ventura, eu perceber que meu coração já não é mais livre, render-me-ei a essa cilada...
Quão belas são as coisas inesperadas.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
A MÁSCARA

Nada como uma festa para nos afastar – momentaneamente – de nossos desprazeres. Nada como uma multidão de pessoas esquecidas de si mesmas para nos levar a também esquecer de quem somos. Um baile de máscaras, em especial, é a ocasião perfeita para testar novas personalidades e ensaiar novas atitudes.
Ela estava cansada... De repente todas as suas crenças quanto ao amor verdadeiro pareciam pequenas demais diante de suas limitações humanas e perdeu parte das forças que a mantinham firme a espera “dele”.
Há um mês atrás havia escrito uma carta endereçada a Deus na qual descrevia com detalhes aquele que deveria ser o homem certo para ela. Rezou sobre a carta e guardou-a na Bíblia, decidida a proceder da mesma maneira no décimo dia de cada mês até que seu pedido fosse realizado. Quando, no entanto, aproximou-se a data em que reapresentaria seu pedido a Deus, estava envolvida em tal marasmo e angústia que já não encontrava gosto em seus antigos anseios e acabou por se esquecer que era hora de prosseguir com suas orações.
Naqueles dias estava propensa a se refugiar nos amigos para se afastar dos próprios pensamentos. Assim, depois de certa insistência, duas amigas convenceram-na a ir a um baile de máscaras na madrugada do dia nove para o dia dez. Apesar de inicialmente ter recusado o convite, logo se animou com a idéia e preparou as vestes negras que usaria para se fantasiar. Sua maior preocupação, contudo, não era disfarçar seu rosto, mas sim mascarar sua alma.
Nunca foi dada a efemeridades. Dava a um beijo o valor do sentimento e nunca antes havia beijado alguém pela simples necessidade de beijar. Naquela noite, ao contrário, estava pronta para provar uma boca que não tivesse lhe feito juras de amor.
Música alta, pessoas dançando sem a menor coordenação, cheiro de álcool e cigarro por toda parte – era este o contexto ideal para envolvimentos fugazes. Não tardou muito para encontrar um par tão perdido quanto ela própria e talvez tenha sido este o único ponto comum entre os dois.
Ele se mostrou um pouco simpático, mais ou menos interessado e meio interessante. Não era de muitas palavras e sabia ouvir menos ainda. O que ele queria obter pedia silêncio.
Quando se beijaram, ela sentiu um gosto de vazio que se misturava ao abraço que não veio, aos elogios que não foram feitos e a conversa que não surgiu. Percebeu facilmente que para ele tanto fazia quem era a dona da boca, desde que essa correspondesse aos seus interesses.
Há horas o relógio passara da meia-noite e já era o décimo dia do mês. Ao invés de estar diante de uma vela falando com Deus, estava na frente de um estranho que olhava para ela sem vê-la.
Mesmo em minha onisciência de narradora, não fui capaz de perscrutar seu espírito a fim de dizer com certeza qual foi a sua sensação quando, após, tê-la beijado, ele perguntou qual era mesmo o seu nome. Sei apenas que ela pensou seriamente em responder “ninguém” ou “qualquer uma”, pois era como se sentia.
Ao se afastarem (fisicamente, pois emocionalmente nunca estiveram juntos), ela levou consigo as piores impressões, enquanto ele, de certo, não levou impressão alguma. Em breve haverá outra festa, onde estarão outras mascaradas e mais uma porção de nomes para serem confundidos e, em seguida, esquecidos.
Ele jamais saberá quem de fato havia por detrás daquela máscara. Não conhecerá os pedidos que saíram pela mesma boca que beijou nem as promessas e sonhos que mantém viva a moça de vestes de negras.
Ele não teve tempo de sentir a sua respiração...
domingo, 10 de outubro de 2010
UMA NOITE

Uma noite para curar o ócio e esquecer a vida.
Uma noite para deixar que as batidas da música se confudam com o compasso do coração.
Uma noite em que as pessoas não são pessoas, mas apenas companhias.
Uma noite em que tudo perde o sentido e por isso é mais fácil reencontrar a direção.
Você sabe quem eu sou? Isso pouco importa...
Era eu quem estava ali para afastar a sua solidão.
Meus pensamentos não lhe interessavam,
Minha voz e promessas também não.
Dois bonecos perdidos em seu cansaço,
Cansaço que não está nos pés, mas na falta de razão.
Quando as bocas se afastam,
O gosto do beijo pode durar mais que uma recordação.
Isso não te faz sentir descartável?
Talvez seja o sentimento apenas de pessoas dotadas de emoção.
"Qual é mesmo o seu nome?
Vou anotá-lo em meu telefone para outra ocasião."
Então quando estiver novamente perdido,
Buscará meus serviços de orientação.
É uma pena, mas meu telefone estará mudo,
Pois não quero ser escudo de consolação.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
O VOCÊ QUE HÁ EM MIM
Ainda existe um você dentro de mim, mas não o você que você é e sim aquele que eu inventei.
A cada vez que me perco de mim, encontro você, porque o que mais amo em você é aquilo que eu mesma gostaria de ser.
A ausência de respostas da sua parte demonstra que, bem ao contrário, não existe uma eu dentro de você.
Na verdade, nunca fomos apresentados e a única coisa que sabe sobre mim é o quanto te busquei, embora eu não soubesse que estava procurando por mim mesma.
Cabe aqui lhe agradecer, porque a completa impossibilidade de conciliarmos nossos sentimentos, deu-me inspiração para escrever e forças para chorar lágrimas que precisavam sair. Fingi que elas eram suas, mas eram apenas minhas e foi a minha alma que lavaram.
Não quero mais me sentir fracassada pela conquista que não realizei nem vou me despedaçar a fim de me reconstruir segundo a sua imagem.
Sou eu, sabe? E talvez o você que inventei seja o eu que ainda está preso em mim.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
COMO ACEITAR?
E quem me ajudará a aceitar que de fato é assim? Não há mais fantasias capazes de suprir a ausência da realidade. O calor de alegria imensa que chegava a me arrancar o ar durante a noite quando as esperanças se renovavam, não mais existirá. Resta-me assumir a veracidade das provas e não mais contestá-las, pois tudo indica para apenas uma direção a qual já não posso ignorar, por mais que eu queira.
Alguns dizem que regras de comportamento são um método duvidoso para tentar prever as atitudes de outra pessoa, mas são tão poucas as chances de que este seja um caso excepcional em que tudo foge a regra e contraria os métodos, que decido me dar por vencida. Também está na hora de perceber que não sou diferente de ninguém e que, infalivelmente, eu sofreria os mesmos males que assolam qualquer humano comum, dotado de emoções. Desejo apenas que, assim como todos, eu me reconstitua após a queda e volte a ser quem eu era, pois minhas forças parecem ter sido sugadas ao mesmo tempo em que o ego alheio se engrandeceu.
Anseio agora pela mesma dor que tenho evitado sentir há tanto tempo. Experimentei-a com doses controladas, mas, a cada vez que os vestígios de um sofrimento vindouro se aproximavam, eu buscava me encher de esperança a fim de pôr fim a possível lamentação.
Quero que esta dor venha de uma vez só e me arranque lágrimas. Não posso tolerar vê-la crescer a cada dia e depois ser interrompida apenas para, logo em seguida, ser renovada. Preciso que meu orgulho se quebre, seja verdadeiramente desafiado para, só assim, regenerar-se.
CARTA DE DESPEDIDA

Escrita em 22/11/2008
Caro senhor "eu-não-sei- o- que- quero- da- minha -vida",
Decidi neste instante retirá-lo por completo da minha mente. Pensei tê-lo feito diversas vezes antes, mas percebo agora que grandes rupturas só podem ser feitas através de mudanças concretas.
Não quero mais esperar por respostas para as dúvidas infinitas que sua volubilidade me deixou. Já não me importa se algum dia representei algo em sua vida, posto que agora não faço mais parte dela.
Pararei de fingir que preciso da sua amizade como se me fosse indiferente o fato de que já não me vê como mulher. Da mesma forma não farei esforço para disfarçar o constrangimento que sua presença me causa, pois cada tentativa estúpida de parecer tê-lo esquecido só me faz lembrar do quanto quis estar com você, mesmo consciente de que somos horríveis um para o outro.
Deixarei de lado esta obsessão de buscar explicações para a sua inquietude, a fim de acusar a sua personalidade confusa como única responsável pelo fracasso da nossa relação. Como poderei resolver os seus problemas, quando estou tão ocupada em solucionar este meu grande problema no qual você se tornou?
Acima de tudo estou farta de criticá-lo ou de tentar compreendê-lo, pois, definitivamente, não sei se algum dia o conheci de verdade e um estranho não pode ser causa de coisa alguma em minha vida. Todos os meus sorrisos ou soluços daqui em diante não pertencem mais a você!
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
MANDANDO TUDO A MERDA
Quero que vá a merda essa droga de sociedade que impõe a maneira como as pessoas devem agir, pensar e falar. Por que as pessoas extrovertidas devem, necessariamente, obter maior sucesso profissional e em sua vida pessoal? Eu não tenho direito de guardar para mim meus pensamentos, de não sair berrando pela rua um monte de besteiras, nem ficar gargalhando feito uma louca? Sou obrigada, por acaso, a encher a cara de vodka, ir a todas as baladas e beijar um monte de caras? Sou inferior a alguém por gostar muito mais da companhia de um bom livro do que de estar em meio a pessoas afetadas?
Quero que vá a merda essas exigências ridículas de como TENHO que ser! Eu sou como eu quero e você me aceite se quiser! Se eu mudar vai ser por minha escolha e em busca de algo melhor, mas não me envergonho da minha essência. Descobri que, muitas vezes, o que uns e outros menos gostam em mim é exatamente o que eu tenho de melhor. Ah! Dá um tempo!
Eu vou sorrir se eu estiver a fim, dançar se a música for do meu gosto e falar só se for da minha vontade. Se eu quiser passar três dias sem abrir a boca, você pode ter certeza que vou fazer isso, porque de mim cuido eu! Vai ser muito mais difícil gostar de mim se eu não for uma extensão de você, mas, se eu conseguir conquistar sua simpatia sendo como sou, meu mérito será muito maior.
Não concordo com o ditado popular: "Se conselho fosse bom era vendido". Se conselho fosse ruim ninguém pedia! Aceito opinião dos meus amigos, bons conselhos e críticas construtivas, mas não admito mais qualquer tipo de opinião preconceituosa, rótulo ou exigência.
O CAMINHO PARA IR À MERDA É TÃO FÁCIL E RÁPIDO... MUITAS PESSOAS DEVIAM EXPERIMENTAR IR ATÉ LÁ DE VEZ EM (SEMPRE) QUANDO .
Obrigada.
"Minha felicidade sou eu, não você.
Não só porque você pode ser temporário, mas também porque você quer que eu seja o que não sou.
Nem posso me sentir contente quando você me critica por não ter seus pensamentos.
Ou por ver como você vê.
Você me chama de rebelde. No entanto, cada vez que rejeitei suas crenças você se rebelou contra as minhas.
Não procuro moldar sua mente.
Sei que você está se esforçando muito para ser só você.
E não posso permitir que me diga o que ser... pois estou me concentrando em ser eu.
Mas, então, por que tentou usar a minha vida para provar a si mesmo o que você é ?"
(Michelle - Não sou nem sacrilégio nem privilégio. Posso não ser competente, nem excelente, mas sou presente)
Obs.: Queria eu ter escrito este texto
domingo, 26 de setembro de 2010
A SUA ESPERA
Você não está aqui, está?
Se estivesse eu acho que saberia.
Teria sentido o seu cheiro e reconhecido os seus passos.
Se bem que... Por várias vezes me enganei pensando ter te encontrado, então não posso dizer com certeza se o reconheceria de fato.
Busquei um pouco de você em todos os que conheci e alguns deles roubaram fragmentos de mim, mas meu coração permaneceu intacto.
Sabe... A cada dia sinto mais vergonha de assumir que sou romântica, pois acho que nesse mundo frívolo não há espaço para pessoas como eu.
Assumo que já fui tentada a beijar por diversão e disse “eu te amo” dezenas de vezes sem me dar conta do compromisso que tinha nas mãos.
Mesmo sem querer, sinto que parte de minhas esperanças estão sendo apagadas, pois antes eu fechava os olhos e conseguia enxergá-lo. Agora, no entanto, eu me esqueci de como você é.
As pessoas me perguntam por quem tenho esperado e falam que isto é besteira, que você não existe, mas, se você não é real, por que consigo senti-lo dentro de mim? Por que a cada dia pressinto a aproximação desta promessa divina?
Você não está aqui, está? Se estiver ou quando chegar, por favor, avise-me.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
ESQUECENDO

Procurei você dentro de mim e encontrei um vazio naquele espaço que antes era seu...
Não foi por acaso que dei a este post o título de “Esquecendo”, pois o gerúndio indica que algo aconteceu no passado e continua a ocorrer no presente. Aulas de Português a parte, quero lhes dizer que, em meu ponto de vista, esquecer alguém é um processo (por vezes muito demorado) e que passa por várias fases.
Desejo a todas vocês que já sofreram por outra pessoa a sensação única de olharem para ela e enxergarem-na em preto e branco (no sentido literal). Quando você se recorda de algo, geralmente, as lembranças não surgem em tons acinzentados? Pois é assim que acontece no instante em que vemos aquela pessoinha e percebemos que tudo o que nos resta agora são recordações. Se vocês se abraçarem, já não conseguirá senti-lo, se você olhá-lo nos olhos, deixará de se procurar dentro deles e quando o vir indo embora acompanhado por outra, não desejará mais ser ela. Apenas sorrirá e dirá a si:
- Veja só... Desta vez ele não levou consigo algo que me pertencia. Permaneço tão inteira quanto antes.
Devo lhe dizer que é assustador consultar seu coração e se dar conta de que existe um oco no mesmo lugar que durante dias, meses ou anos foi ocupado por apenas um nome. Estranhamente sentiremos falta dele por mais que este nome se refira a pior coisa que já aconteceu na nossa vida e nos faça lembrar de todas as loucuras que cometemos para mantê-lo conosco (mesmo que nunca o tenhamos possuído de fato). As saudades surgirão apesar dos pesares, porque, de alguma forma, sentíamo-nos sempre acompanhadas e de repente, um pedaço nosso foi removido sabe Deus para onde.
A primeira fase do ESQUECENDO é quando dizemos que queremos esquecer, mas sabemos que, lá no fundo, há uma parte que deseja ficar apegada ao passado.
- Não quero mais ouvir aquele nome, não quero encontrá-lo nem vê-lo mesmo de longe... Mas ele ainda vai sentir a minha falta!
Assuma agora o quanto quis fazer essa pessoa sofrer por sua causa da mesma forma que sofreu por ela. Conte-me os planos que fez de passar diante dele abraçadinha com outro sem se dar conta de que NADA vai fazê-lo querer você. Talvez ele até sinta uma ponta de ciúme, porque perdeu uma súdita fiel, mas isto não o fará amar você.
Vou te falar uma coisa triste e peço que me perdoe, mas, quando você está em sua cama tentando se obrigar a esquecer daquele rosto e chamando a si de idiota... Ali só estão você e Deus. Quando você grita: “eu vou te esquecer”, como se o dono de seus pensamentos pudesse ouvir e como se o fato de ser esquecido consistisse em um castigo, ele não está te ouvindo e, caso estivesse, provavelmente não se importaria.
Apesar de eu ser católica praticante, encontrei uma frase de Buda que confirma minha teoria de que a esperança é o que nos impede de esquecer:
Se não tivermos esperanças, temos todas as coisas”. – Foi o que Buda disse.
Quando você se der conta de que o esquecimento vem ao seu tempo, estará dando o primeiro passo para deixar finalmente para trás aquela paixão, pois o tentar esquecer é também uma forma de lembrar.
Quando você comprar roupas novas, sair com os amigos, sentir vontade de encontrar outra pessoa e se der conta de que está fazendo isso por você e SÓ POR VOCÊ, estará se deixando esquecer. O desejo de magoar quem nos magoou ou a necessidade de provarmos que estamos bem ocorre em função de ainda querermos atingir esse alguém, pois, se não o vencemos com nosso amor, acreditamos poder derrubá-lo com nossa vingança.
Quando você encontrá-lo por aí, perceber que ele ainda causa um leve tremor na sua espinha, mas não acusar a si mesma por este sinal de fraqueza... Estará a um passo de esquecer, pois terá concluído que o fato de não gostar mais de uma determinada pessoa, não significa que precisará apagar por completo a imagem e as sensações causadas por alguém que foi importante para você.
Então, sem que você soubesse, eu estava dizendo:
- Adeus!
ps.: Busquem na net um texto chamado "Receita para esquecer um grande amor"...

