terça-feira, 28 de setembro de 2010
COMO ACEITAR?
E quem me ajudará a aceitar que de fato é assim? Não há mais fantasias capazes de suprir a ausência da realidade. O calor de alegria imensa que chegava a me arrancar o ar durante a noite quando as esperanças se renovavam, não mais existirá. Resta-me assumir a veracidade das provas e não mais contestá-las, pois tudo indica para apenas uma direção a qual já não posso ignorar, por mais que eu queira.
Alguns dizem que regras de comportamento são um método duvidoso para tentar prever as atitudes de outra pessoa, mas são tão poucas as chances de que este seja um caso excepcional em que tudo foge a regra e contraria os métodos, que decido me dar por vencida. Também está na hora de perceber que não sou diferente de ninguém e que, infalivelmente, eu sofreria os mesmos males que assolam qualquer humano comum, dotado de emoções. Desejo apenas que, assim como todos, eu me reconstitua após a queda e volte a ser quem eu era, pois minhas forças parecem ter sido sugadas ao mesmo tempo em que o ego alheio se engrandeceu.
Anseio agora pela mesma dor que tenho evitado sentir há tanto tempo. Experimentei-a com doses controladas, mas, a cada vez que os vestígios de um sofrimento vindouro se aproximavam, eu buscava me encher de esperança a fim de pôr fim a possível lamentação.
Quero que esta dor venha de uma vez só e me arranque lágrimas. Não posso tolerar vê-la crescer a cada dia e depois ser interrompida apenas para, logo em seguida, ser renovada. Preciso que meu orgulho se quebre, seja verdadeiramente desafiado para, só assim, regenerar-se.
CARTA DE DESPEDIDA

Escrita em 22/11/2008
Caro senhor "eu-não-sei- o- que- quero- da- minha -vida",
Decidi neste instante retirá-lo por completo da minha mente. Pensei tê-lo feito diversas vezes antes, mas percebo agora que grandes rupturas só podem ser feitas através de mudanças concretas.
Não quero mais esperar por respostas para as dúvidas infinitas que sua volubilidade me deixou. Já não me importa se algum dia representei algo em sua vida, posto que agora não faço mais parte dela.
Pararei de fingir que preciso da sua amizade como se me fosse indiferente o fato de que já não me vê como mulher. Da mesma forma não farei esforço para disfarçar o constrangimento que sua presença me causa, pois cada tentativa estúpida de parecer tê-lo esquecido só me faz lembrar do quanto quis estar com você, mesmo consciente de que somos horríveis um para o outro.
Deixarei de lado esta obsessão de buscar explicações para a sua inquietude, a fim de acusar a sua personalidade confusa como única responsável pelo fracasso da nossa relação. Como poderei resolver os seus problemas, quando estou tão ocupada em solucionar este meu grande problema no qual você se tornou?
Acima de tudo estou farta de criticá-lo ou de tentar compreendê-lo, pois, definitivamente, não sei se algum dia o conheci de verdade e um estranho não pode ser causa de coisa alguma em minha vida. Todos os meus sorrisos ou soluços daqui em diante não pertencem mais a você!
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
MANDANDO TUDO A MERDA
Quero que vá a merda essa droga de sociedade que impõe a maneira como as pessoas devem agir, pensar e falar. Por que as pessoas extrovertidas devem, necessariamente, obter maior sucesso profissional e em sua vida pessoal? Eu não tenho direito de guardar para mim meus pensamentos, de não sair berrando pela rua um monte de besteiras, nem ficar gargalhando feito uma louca? Sou obrigada, por acaso, a encher a cara de vodka, ir a todas as baladas e beijar um monte de caras? Sou inferior a alguém por gostar muito mais da companhia de um bom livro do que de estar em meio a pessoas afetadas?
Quero que vá a merda essas exigências ridículas de como TENHO que ser! Eu sou como eu quero e você me aceite se quiser! Se eu mudar vai ser por minha escolha e em busca de algo melhor, mas não me envergonho da minha essência. Descobri que, muitas vezes, o que uns e outros menos gostam em mim é exatamente o que eu tenho de melhor. Ah! Dá um tempo!
Eu vou sorrir se eu estiver a fim, dançar se a música for do meu gosto e falar só se for da minha vontade. Se eu quiser passar três dias sem abrir a boca, você pode ter certeza que vou fazer isso, porque de mim cuido eu! Vai ser muito mais difícil gostar de mim se eu não for uma extensão de você, mas, se eu conseguir conquistar sua simpatia sendo como sou, meu mérito será muito maior.
Não concordo com o ditado popular: "Se conselho fosse bom era vendido". Se conselho fosse ruim ninguém pedia! Aceito opinião dos meus amigos, bons conselhos e críticas construtivas, mas não admito mais qualquer tipo de opinião preconceituosa, rótulo ou exigência.
O CAMINHO PARA IR À MERDA É TÃO FÁCIL E RÁPIDO... MUITAS PESSOAS DEVIAM EXPERIMENTAR IR ATÉ LÁ DE VEZ EM (SEMPRE) QUANDO .
Obrigada.
"Minha felicidade sou eu, não você.
Não só porque você pode ser temporário, mas também porque você quer que eu seja o que não sou.
Nem posso me sentir contente quando você me critica por não ter seus pensamentos.
Ou por ver como você vê.
Você me chama de rebelde. No entanto, cada vez que rejeitei suas crenças você se rebelou contra as minhas.
Não procuro moldar sua mente.
Sei que você está se esforçando muito para ser só você.
E não posso permitir que me diga o que ser... pois estou me concentrando em ser eu.
Mas, então, por que tentou usar a minha vida para provar a si mesmo o que você é ?"
(Michelle - Não sou nem sacrilégio nem privilégio. Posso não ser competente, nem excelente, mas sou presente)
Obs.: Queria eu ter escrito este texto
domingo, 26 de setembro de 2010
A SUA ESPERA
Você não está aqui, está?
Se estivesse eu acho que saberia.
Teria sentido o seu cheiro e reconhecido os seus passos.
Se bem que... Por várias vezes me enganei pensando ter te encontrado, então não posso dizer com certeza se o reconheceria de fato.
Busquei um pouco de você em todos os que conheci e alguns deles roubaram fragmentos de mim, mas meu coração permaneceu intacto.
Sabe... A cada dia sinto mais vergonha de assumir que sou romântica, pois acho que nesse mundo frívolo não há espaço para pessoas como eu.
Assumo que já fui tentada a beijar por diversão e disse “eu te amo” dezenas de vezes sem me dar conta do compromisso que tinha nas mãos.
Mesmo sem querer, sinto que parte de minhas esperanças estão sendo apagadas, pois antes eu fechava os olhos e conseguia enxergá-lo. Agora, no entanto, eu me esqueci de como você é.
As pessoas me perguntam por quem tenho esperado e falam que isto é besteira, que você não existe, mas, se você não é real, por que consigo senti-lo dentro de mim? Por que a cada dia pressinto a aproximação desta promessa divina?
Você não está aqui, está? Se estiver ou quando chegar, por favor, avise-me.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
ESQUECENDO

Procurei você dentro de mim e encontrei um vazio naquele espaço que antes era seu...
Não foi por acaso que dei a este post o título de “Esquecendo”, pois o gerúndio indica que algo aconteceu no passado e continua a ocorrer no presente. Aulas de Português a parte, quero lhes dizer que, em meu ponto de vista, esquecer alguém é um processo (por vezes muito demorado) e que passa por várias fases.
Desejo a todas vocês que já sofreram por outra pessoa a sensação única de olharem para ela e enxergarem-na em preto e branco (no sentido literal). Quando você se recorda de algo, geralmente, as lembranças não surgem em tons acinzentados? Pois é assim que acontece no instante em que vemos aquela pessoinha e percebemos que tudo o que nos resta agora são recordações. Se vocês se abraçarem, já não conseguirá senti-lo, se você olhá-lo nos olhos, deixará de se procurar dentro deles e quando o vir indo embora acompanhado por outra, não desejará mais ser ela. Apenas sorrirá e dirá a si:
- Veja só... Desta vez ele não levou consigo algo que me pertencia. Permaneço tão inteira quanto antes.
Devo lhe dizer que é assustador consultar seu coração e se dar conta de que existe um oco no mesmo lugar que durante dias, meses ou anos foi ocupado por apenas um nome. Estranhamente sentiremos falta dele por mais que este nome se refira a pior coisa que já aconteceu na nossa vida e nos faça lembrar de todas as loucuras que cometemos para mantê-lo conosco (mesmo que nunca o tenhamos possuído de fato). As saudades surgirão apesar dos pesares, porque, de alguma forma, sentíamo-nos sempre acompanhadas e de repente, um pedaço nosso foi removido sabe Deus para onde.
A primeira fase do ESQUECENDO é quando dizemos que queremos esquecer, mas sabemos que, lá no fundo, há uma parte que deseja ficar apegada ao passado.
- Não quero mais ouvir aquele nome, não quero encontrá-lo nem vê-lo mesmo de longe... Mas ele ainda vai sentir a minha falta!
Assuma agora o quanto quis fazer essa pessoa sofrer por sua causa da mesma forma que sofreu por ela. Conte-me os planos que fez de passar diante dele abraçadinha com outro sem se dar conta de que NADA vai fazê-lo querer você. Talvez ele até sinta uma ponta de ciúme, porque perdeu uma súdita fiel, mas isto não o fará amar você.
Vou te falar uma coisa triste e peço que me perdoe, mas, quando você está em sua cama tentando se obrigar a esquecer daquele rosto e chamando a si de idiota... Ali só estão você e Deus. Quando você grita: “eu vou te esquecer”, como se o dono de seus pensamentos pudesse ouvir e como se o fato de ser esquecido consistisse em um castigo, ele não está te ouvindo e, caso estivesse, provavelmente não se importaria.
Apesar de eu ser católica praticante, encontrei uma frase de Buda que confirma minha teoria de que a esperança é o que nos impede de esquecer:
Se não tivermos esperanças, temos todas as coisas”. – Foi o que Buda disse.
Quando você se der conta de que o esquecimento vem ao seu tempo, estará dando o primeiro passo para deixar finalmente para trás aquela paixão, pois o tentar esquecer é também uma forma de lembrar.
Quando você comprar roupas novas, sair com os amigos, sentir vontade de encontrar outra pessoa e se der conta de que está fazendo isso por você e SÓ POR VOCÊ, estará se deixando esquecer. O desejo de magoar quem nos magoou ou a necessidade de provarmos que estamos bem ocorre em função de ainda querermos atingir esse alguém, pois, se não o vencemos com nosso amor, acreditamos poder derrubá-lo com nossa vingança.
Quando você encontrá-lo por aí, perceber que ele ainda causa um leve tremor na sua espinha, mas não acusar a si mesma por este sinal de fraqueza... Estará a um passo de esquecer, pois terá concluído que o fato de não gostar mais de uma determinada pessoa, não significa que precisará apagar por completo a imagem e as sensações causadas por alguém que foi importante para você.
Então, sem que você soubesse, eu estava dizendo:
- Adeus!
ps.: Busquem na net um texto chamado "Receita para esquecer um grande amor"...
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
ANTÔNIMOS

- É ela!
- É ele!
Pensaram mutuamente quando no meio do caminho se encontraram
E, apesar do pensamento recíproco, um ao outro nada disseram.
Ele lançou um olhar furtivo,
Ela sorriu timidamente.
Em seguida... Em seguida apenas caminharam.
Havia naquele olhar um não sei quê de ceticismo.
Havia naqueles lábios a confissão de crenças pueris.
Tão ele,
Tão ela,
Tão distantes.
Distância de passos.
Ausência de olhares que ousassem se confrontar,
De sorrisos corajosos para sorrir
E de uma voz que apenas indagasse:
- Quem é você?
Nós humanos criamos tantos abismos entre nós... Por quê?
Somos obrigados a manter nossa marcha constante?
Melhor me parece pararmos por alguns segundos.
Respiramos, enxergamos o outro e então prosseguimos,
Mas já não estaremos sozinhos.
Talvez existam poesias que se completam.
Talvez possamos n’algum dia buscar nosso reflexo em uma vidraça
E encontrarmos outra imagem ao lado da nossa.
Pouca importa se aquela poesia tem versos livres,
Enquanto eu amo a rima e a métrica.
Pouca importa se aquela imagem é côncava
Enquanto eu sou desde sempre convexa.
São os sinônimos que dão sentido as antíteses
- É ele!
- É ela!
Antônimos...
sábado, 18 de setembro de 2010
O NOSSO MAIOR VÍCIO: O OUTRO

Olá.. este é um trecho do meu livro a "Última Estrela", o qual pretendo publicar até o final desse ano se Deus assim quiser. Segue uma reflexão feita pela protagonista Clara:
"Eu estava infinitamente cansada de viver em meio a um círculo vicioso, coagida pelas voltas de uma roda-gigante que ao fim de cada giro fazia-me descer em uma existência vazia, mas ... não estaríamos todos nós destinados a andar neste brinquedo? Parecemos trazer por natureza uma parte oca no espírito. Alguns por possuírem uma personalidade mais ardente demoram a se dar conta, mas o que realmente nos diferencia é o modo como iremos cobrir este espaço em nosso interior e é preciso cobri-lo antes que a angústia faça isto por nós. Os vícios sempre surgem como um cimento tentador embriagando-nos em prazeres que, de imediato, nos dão a falsa sensação de liberdade. Tolos que somos não nos damos conta de quão efêmero é este efeito milagroso e logo estamos soltos novamente na realidade mais sedentos por alívio do que antes. Enganam-se, contudo, os que vêem na bebida, no fumo ou em qualquer outro tipo de droga os principais causadores de dependência. Sem dúvida são eles grandes vilões da sociedade, mas acabam sendo conseqüência do maior vício que acomete toda a raça humana: o outro. Somos viciados no outro, muitas vezes sublimamos nosso próprio eu para vivermos em função de alguém a quem juramos devotar amor quando estamos, na verdade, devotando morte, pois assim nos neutralizamos, nos apagamos como pessoas. Trazemos de nascença o preconceito de que só alcançaremos a felicidade se tivermos a plena aceitação de nossos semelhantes, se formos sempre correspondidos, amados e, ao primeiro sinal de rejeição, perdemos todo vontade de viver. Sofrer rejeição é acontecimento certo na vida de qualquer um, pois o outro tem suas peculiaridades e, muito raramente, atende nossas expectativas. Esta cultura de apego ao “tu” e não ao “eu”, é uma forma de tentarmos saciar este vazio. Acreditamos que, se houver alguém ao nosso lado na cadeira da roda-gigante, desceremos no paraíso ao fim de cada volta. É impossível viver sozinho, precisamos de amor, mas não podemos fazer de nossas relações algo doentio ou algum tipo de escada para salvação. Enquanto vivermos com esta idéia, o oco da alma continuará a nos sorver, pois a única areia capaz de cobri-lo é a aceitação de uma existência superior à nossa; superior e divina o suficiente para nos dar a chance de irmos a Ele por nossa própria vontade e não a partir de uma prisão psicológica como a causada pelos vícios."
