terça-feira, 19 de outubro de 2010

PREVISÕES

(Escrita em 06/11/2009)

Sinto que posso sentir muitas coisas ao seu respeito,
mas talvez seja pura insensatez tentar prever sentimentos.
Como posso antecipar aquilo que ainda está por dentro?
E assim perder a chance de me surpreender com o tempo?
Vou amar por apenas um dia, sem medo do amanhã.
E se tudo acabar em um de repente qualquer,
não irei me sentir a mais terrível mulher, apenas seguirei em busca de um novo amor que,
um dia por vez, prolongue-se eternamente.
Quero muitos dias de eternidade,
quero que minhas mãos continuem livres em suas criações.
E, se por ventura, eu perceber que meu coração já não é mais livre, render-me-ei a essa cilada...
Quão belas são as coisas inesperadas.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A MÁSCARA


Nada como uma festa para nos afastar – momentaneamente – de nossos desprazeres. Nada como uma multidão de pessoas esquecidas de si mesmas para nos levar a também esquecer de quem somos. Um baile de máscaras, em especial, é a ocasião perfeita para testar novas personalidades e ensaiar novas atitudes.

Ela estava cansada... De repente todas as suas crenças quanto ao amor verdadeiro pareciam pequenas demais diante de suas limitações humanas e perdeu parte das forças que a mantinham firme a espera “dele”.

Há um mês atrás havia escrito uma carta endereçada a Deus na qual descrevia com detalhes aquele que deveria ser o homem certo para ela. Rezou sobre a carta e guardou-a na Bíblia, decidida a proceder da mesma maneira no décimo dia de cada mês até que seu pedido fosse realizado. Quando, no entanto, aproximou-se a data em que reapresentaria seu pedido a Deus, estava envolvida em tal marasmo e angústia que já não encontrava gosto em seus antigos anseios e acabou por se esquecer que era hora de prosseguir com suas orações.

Naqueles dias estava propensa a se refugiar nos amigos para se afastar dos próprios pensamentos. Assim, depois de certa insistência, duas amigas convenceram-na a ir a um baile de máscaras na madrugada do dia nove para o dia dez. Apesar de inicialmente ter recusado o convite, logo se animou com a idéia e preparou as vestes negras que usaria para se fantasiar. Sua maior preocupação, contudo, não era disfarçar seu rosto, mas sim mascarar sua alma.

Nunca foi dada a efemeridades. Dava a um beijo o valor do sentimento e nunca antes havia beijado alguém pela simples necessidade de beijar. Naquela noite, ao contrário, estava pronta para provar uma boca que não tivesse lhe feito juras de amor.

Música alta, pessoas dançando sem a menor coordenação, cheiro de álcool e cigarro por toda parte – era este o contexto ideal para envolvimentos fugazes. Não tardou muito para encontrar um par tão perdido quanto ela própria e talvez tenha sido este o único ponto comum entre os dois.

Ele se mostrou um pouco simpático, mais ou menos interessado e meio interessante. Não era de muitas palavras e sabia ouvir menos ainda. O que ele queria obter pedia silêncio.

Quando se beijaram, ela sentiu um gosto de vazio que se misturava ao abraço que não veio, aos elogios que não foram feitos e a conversa que não surgiu. Percebeu facilmente que para ele tanto fazia quem era a dona da boca, desde que essa correspondesse aos seus interesses.

Há horas o relógio passara da meia-noite e já era o décimo dia do mês. Ao invés de estar diante de uma vela falando com Deus, estava na frente de um estranho que olhava para ela sem vê-la.

Mesmo em minha onisciência de narradora, não fui capaz de perscrutar seu espírito a fim de dizer com certeza qual foi a sua sensação quando, após, tê-la beijado, ele perguntou qual era mesmo o seu nome. Sei apenas que ela pensou seriamente em responder “ninguém” ou “qualquer uma”, pois era como se sentia.

Ao se afastarem (fisicamente, pois emocionalmente nunca estiveram juntos), ela levou consigo as piores impressões, enquanto ele, de certo, não levou impressão alguma. Em breve haverá outra festa, onde estarão outras mascaradas e mais uma porção de nomes para serem confundidos e, em seguida, esquecidos.

Ele jamais saberá quem de fato havia por detrás daquela máscara. Não conhecerá os pedidos que saíram pela mesma boca que beijou nem as promessas e sonhos que mantém viva a moça de vestes de negras.

Ele não teve tempo de sentir a sua respiração...

domingo, 10 de outubro de 2010

UMA NOITE


Uma noite para curar o ócio e esquecer a vida.
Uma noite para deixar que as batidas da música se confudam com o compasso do coração.
Uma noite em que as pessoas não são pessoas, mas apenas companhias.
Uma noite em que tudo perde o sentido e por isso é mais fácil reencontrar a direção.
Você sabe quem eu sou? Isso pouco importa...
Era eu quem estava ali para afastar a sua solidão.
Meus pensamentos não lhe interessavam,
Minha voz e promessas também não.
Dois bonecos perdidos em seu cansaço,
Cansaço que não está nos pés, mas na falta de razão.
Quando as bocas se afastam,
O gosto do beijo pode durar mais que uma recordação.
Isso não te faz sentir descartável?
Talvez seja o sentimento apenas de pessoas dotadas de emoção.
"Qual é mesmo o seu nome?
Vou anotá-lo em meu telefone para outra ocasião."
Então quando estiver novamente perdido,
Buscará meus serviços de orientação.
É uma pena, mas meu telefone estará mudo,
Pois não quero ser escudo de consolação.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O VOCÊ QUE HÁ EM MIM


Ainda existe um você dentro de mim, mas não o você que você é e sim aquele que eu inventei.

A cada vez que me perco de mim, encontro você, porque o que mais amo em você é aquilo que eu mesma gostaria de ser.

A ausência de respostas da sua parte demonstra que, bem ao contrário, não existe uma eu dentro de você.

Na verdade, nunca fomos apresentados e a única coisa que sabe sobre mim é o quanto te busquei, embora eu não soubesse que estava procurando por mim mesma.

Cabe aqui lhe agradecer, porque a completa impossibilidade de conciliarmos nossos sentimentos, deu-me inspiração para escrever e forças para chorar lágrimas que precisavam sair. Fingi que elas eram suas, mas eram apenas minhas e foi a minha alma que lavaram.

Não quero mais me sentir fracassada pela conquista que não realizei nem vou me despedaçar a fim de me reconstruir segundo a sua imagem.

Sou eu, sabe? E talvez o você que inventei seja o eu que ainda está preso em mim.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

COMO ACEITAR?

(Escrita em 15/11/2009 - Datas nos remetem a momentos que, por sua vez, nos remetem a pessoas)

E quem me ajudará a aceitar que de fato é assim? Não há mais fantasias capazes de suprir a ausência da realidade. O calor de alegria imensa que chegava a me arrancar o ar durante a noite quando as esperanças se renovavam, não mais existirá. Resta-me assumir a veracidade das provas e não mais contestá-las, pois tudo indica para apenas uma direção a qual já não posso ignorar, por mais que eu queira.
Alguns dizem que regras de comportamento são um método duvidoso para tentar prever as atitudes de outra pessoa, mas são tão poucas as chances de que este seja um caso excepcional em que tudo foge a regra e contraria os métodos, que decido me dar por vencida. Também está na hora de perceber que não sou diferente de ninguém e que, infalivelmente, eu sofreria os mesmos males que assolam qualquer humano comum, dotado de emoções. Desejo apenas que, assim como todos, eu me reconstitua após a queda e volte a ser quem eu era, pois minhas forças parecem ter sido sugadas ao mesmo tempo em que o ego alheio se engrandeceu.
Anseio agora pela mesma dor que tenho evitado sentir há tanto tempo. Experimentei-a com doses controladas, mas, a cada vez que os vestígios de um sofrimento vindouro se aproximavam, eu buscava me encher de esperança a fim de pôr fim a possível lamentação.
Quero que esta dor venha de uma vez só e me arranque lágrimas. Não posso tolerar vê-la crescer a cada dia e depois ser interrompida apenas para, logo em seguida, ser renovada. Preciso que meu orgulho se quebre, seja verdadeiramente desafiado para, só assim, regenerar-se.

CARTA DE DESPEDIDA


Escrita em 22/11/2008

Caro senhor "eu-não-sei- o- que- quero- da- minha -vida",

Decidi neste instante retirá-lo por completo da minha mente. Pensei tê-lo feito diversas vezes antes, mas percebo agora que grandes rupturas só podem ser feitas através de mudanças concretas.
Não quero mais esperar por respostas para as dúvidas infinitas que sua volubilidade me deixou. Já não me importa se algum dia representei algo em sua vida, posto que agora não faço mais parte dela.
Pararei de fingir que preciso da sua amizade como se me fosse indiferente o fato de que já não me vê como mulher. Da mesma forma não farei esforço para disfarçar o constrangimento que sua presença me causa, pois cada tentativa estúpida de parecer tê-lo esquecido só me faz lembrar do quanto quis estar com você, mesmo consciente de que somos horríveis um para o outro.
Deixarei de lado esta obsessão de buscar explicações para a sua inquietude, a fim de acusar a sua personalidade confusa como única responsável pelo fracasso da nossa relação. Como poderei resolver os seus problemas, quando estou tão ocupada em solucionar este meu grande problema no qual você se tornou?
Acima de tudo estou farta de criticá-lo ou de tentar compreendê-lo, pois, definitivamente, não sei se algum dia o conheci de verdade e um estranho não pode ser causa de coisa alguma em minha vida. Todos os meus sorrisos ou soluços daqui em diante não pertencem mais a você!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

MANDANDO TUDO A MERDA

Peço desculpas as pessoas que seguem este blog e buscam encontrar nele palavras de motivação, mas, neste momento, vou usá-lo em sua função de diário pessoal. Fiquem a vontade para ignorar este post:

Quero que vá a merda essa droga de sociedade que impõe a maneira como as pessoas devem agir, pensar e falar. Por que as pessoas extrovertidas devem, necessariamente, obter maior sucesso profissional e em sua vida pessoal? Eu não tenho direito de guardar para mim meus pensamentos, de não sair berrando pela rua um monte de besteiras, nem ficar gargalhando feito uma louca? Sou obrigada, por acaso, a encher a cara de vodka, ir a todas as baladas e beijar um monte de caras? Sou inferior a alguém por gostar muito mais da companhia de um bom livro do que de estar em meio a pessoas afetadas?
Quero que vá a merda essas exigências ridículas de como TENHO que ser! Eu sou como eu quero e você me aceite se quiser! Se eu mudar vai ser por minha escolha e em busca de algo melhor, mas não me envergonho da minha essência. Descobri que, muitas vezes, o que uns e outros menos gostam em mim é exatamente o que eu tenho de melhor. Ah! Dá um tempo!
Eu vou sorrir se eu estiver a fim, dançar se a música for do meu gosto e falar só se for da minha vontade. Se eu quiser passar três dias sem abrir a boca, você pode ter certeza que vou fazer isso, porque de mim cuido eu! Vai ser muito mais difícil gostar de mim se eu não for uma extensão de você, mas, se eu conseguir conquistar sua simpatia sendo como sou, meu mérito será muito maior.
Não concordo com o ditado popular: "Se conselho fosse bom era vendido". Se conselho fosse ruim ninguém pedia! Aceito opinião dos meus amigos, bons conselhos e críticas construtivas, mas não admito mais qualquer tipo de opinião preconceituosa, rótulo ou exigência.

O CAMINHO PARA IR À MERDA É TÃO FÁCIL E RÁPIDO... MUITAS PESSOAS DEVIAM EXPERIMENTAR IR ATÉ LÁ DE VEZ EM (SEMPRE) QUANDO .

Obrigada.

"Minha felicidade sou eu, não você.
Não só porque você pode ser temporário, mas também porque você quer que eu seja o que não sou.
Não posso ser feliz quando mudo só para satisfazer o seu egoísmo.
Nem posso me sentir contente quando você me critica por não ter seus pensamentos.
Ou por ver como você vê.
Você me chama de rebelde. No entanto, cada vez que rejeitei suas crenças você se rebelou contra as minhas.
Não procuro moldar sua mente.
Sei que você está se esforçando muito para ser só você.
E não posso permitir que me diga o que ser... pois estou me concentrando em ser eu.
Você disse que eu era transparente e fácil de esquecer.
Mas, então, por que tentou usar a minha vida para provar a si mesmo o que você é ?"

(Michelle - Não sou nem sacrilégio nem privilégio. Posso não ser competente, nem excelente, mas sou presente)

Obs.: Queria eu ter escrito este texto